" Até onde posso vou deixando o melhor de mim...
Se alguém não viu...
Não me sentiu com o coração."
Clarice Lispector





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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

TESTE ROMANCE DE 30



Centro de ensino amado Joaquim
Professora: Rony Faieth
Aluno ( a): _______________________________________ nº _________
Teste de Literatura
Encostado a uma jurema seca, defronte ao juazeiro que a foice dos cabras ia pouco a pouco mutilando, Vicente dirigia a distribuição de rama verde ao gado. Reses magras, com grandes ossos agudos furando o couro das ancas, devoravam confiadamente os rebentões que a ponta dos terçados espalhava pelo chão.
Era raro e alarmante, em março, ainda se tratar de gado. Vicente pensava sombriamente no que seria de tanta rês, se de fato não viesse o inverno. A rama já não dava nem para um mês. Imaginara retirar uma porção de gado para a serra. Mas, sabia lá? Na serra, também, o recurso falta... Também o pasto seca... Também a água dos riachos afina, afina,até se transformar num fio gotejante e transparente. Além disso, a viagem sem pasto, sem bebida certa, havia de ser um horror, morreria tudo.Uma vaca que se afastava chamou a atenção do rapaz, que deu um grito:- Eh! menino, olha a Jandaia! Tange para cá! E chamando o vaqueiro:- Você viu, compadre João, como a Jandaia tem carrapato? Até no focinho!O João Marreca olhou para o animal que todo se pontilhava de verrugas pretas, encaroçando-lhe o úbere, as pernas, o corpo inteiro:- Tem umas ainda pior... Carece é carrapaticida muito... E as reses assim fracas...Vicente lastimou-se:- Inda por cima do verãozão, diabo de tanto carrapato... Dá vontade é de deixar morrer logo!
                                                 (QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. 28. ed. Rio de Janeiro: J. Olímpio, 1982. Pp. 5-7)
                                           
1."Era raro e alarmante, em março, ainda se tratar de gado. Vicente pensava sombriamente no que seria de tanta rês, se de fato não viesse o inverno." (linhas 07 e 08). Da passagem acima, conclui-se:
A. a seca já está confirmada.
B. há, apenas, um "verãozinho", mas passageiro.
C. todos os prenúncios apontam, de fato, para uma seca.
D. todas as alternativas são verdadeiras

2. Em O Quinze, o que de fato afasta Conceição de Vicente é:
A. O preconceito de Conceição
B. A infidelidade de Vicente
C. As diferenças entre os dois
D. A oposição de suas famílias

3. Conceição era:
A. uma mocinha romântica
B. uma professora preocupada apenas com seus alunos
C. uma mulher dentro dos padrões de sua época
D. uma pessoa preocupada com as questões político-sociais

4. O personagem Chico Bento, aproxima-se de :

a. Fabiano
b. Paulo Honório
c. Mestre Amaro
d. Vicente



5. O que mais afetou a família de Chico Bento durante a viagem foi:

a. a distância
b. O descaso das autoridades
c. a fome
d. a seca


06.Em relação a obra O Quinze de Rachel de Queiroz é correto afirmar que:
a.     A miséria transforma Chico Bento em um homem duro, incapaz de se sensibilizar com o sofrimento da própria família
b.     Conceição, moça romântica, luta pelo amor de Vicente sem preocupações com as diferencias que há entre eles.
c.     A seca, que é o tema da obra, é a principal causa da partida de Chico Bento e sua família do espaço onde eles viviam.
d.     Apesar das dificuldades que os personagens enfrentam, como a seca e fome, a obra mostra um final que se aproxima aos romances Da primeira metade do século XIX.

07. (UFLA) Sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, todas as alternativas estão corretas, EXCETO:

a) O romance focaliza uma família de retirantes, que vive numa espécie de mudez introspectiva, em precárias condições físicas e num degradante estado de condição humana.
b) O relato dos fatos e a análise psicológica dos personagens articulam-se com grande coesão ao longo da obra, colocando o narrador como decifrador dos comportamentos animalescos dos personagens.
c) O ambiente seco e retorcido da caatinga é como um personagem presente em todos os momentos, agindo de forma contínua sobre os seres vivos.
d) O narrador preocupa-se exclusivamente com a tragédia natural (a seca) e a descrição do espaço não é minuciosa; pelo contrário, revela o espírito de síntese do autor.

08. (UEL) O texto abaixo apresenta uma passagem do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, em que Fabiano é focalizado em um momento de preocupação com sua situação econômica. Escrito em 1938, esta obra insere-se num momento em que a literatura brasileira centrava seus temas em questões de natureza social.

"Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça. Forjara planos. Tolice, quem é do chão não se trepa. Consumidos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do amo, cedia por preço baixo o produto das sortes. Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos minguados, engasgava-se, engolia em seco."

                                                  (In: RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 55. ed. Rio de Janeiro: Record, 1991.)

Sobre este trecho do romance, somente está INCORRETO o que se afirma na alternativa:

a) Este trecho resume a situação de permanente pobreza de Fabiano e revela-se como uma crítica à economia brasileira e às relações de trabalho que vigoravam no sertão nordestino no momento em que a obra foi criada. Isso pode ser confirmado pelas orações: "... Consumidos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do amo, cedia por preço baixo o produto das sortes...."
b) A oração: "Se pudesse economizar durante alguns meses, levantaria a cabeça" tanto pode ser o discurso do narrador que revela o pensamento de Fabiano, quanto pode ser o próprio pensamento dessa personagem. Esse modo de narrar também ocorre com as demais personagens do romance.
c) A oração: "... Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos minguados, engasgava-se, engolia em seco" indica a voz do narrador em terceira pessoa, ao mostrar o estado de agonia em que se encontra a personagem.
dA expressão “Forjara planos”, típica da linguagem culta, é seguida no texto por um provérbio popular: “quem é do chão não se trepa”. Essa mudança de registro lingüístico é reveladora do método narrativo de Vidas secas, que subordina a voz das classes populares à da elite.

) 09. (ACAFE / SC) Baleia queria dormir. Acordaria feliz num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes. (Graciliano Ramos)

Sobre o texto acima, é correto afirmar que:

a) há marcas próprias do chamado discurso direto através do qual são reproduzidas as falas das personagens.
b) o narrador é observador, pois conta a história de fora dela, na terceira pessoa, sem participar das ações, como quem observou objetivamente os acontecimentos.
c) quem conta a história é uma das personagens, que tem uma relação íntima com as outras personagens, e, por isso, a maneira de contar é fortemente marcada por características subjetivas, emocionais.
d) evidencia-se um conflito entre a protagonista Baleia e o antagonista Fabiano, pois este impede que a cadela possa caçar os preás.
e) o narrador é onisciente, isto é, geralmente ele narra a história na terceira pessoa, sabe tudo sobre o enredo e sobre as personagens, inclusive sobre suas emoções, pensamentos mais íntimos, às vezes, até dimensões inconscientes.

10(  ACAFE / SC) Sobre a obra Vidas secas, é correto afirmar que:

a) a preocupação com a fidedignidade histórica e com o tom épico atenua o sentimento dramático da vida, habitualmente presente nos poemas do autor.
b) apresenta temática indianista, a exemplo do que fizera Gonçalves Dias em Os timbiras e Canção do tamoio.
c) as personagens humanas, em razão da seca, da fome, da miséria e das injustiças sociais, animalizam-se; em contrapartida, os bichos humanizam-se.
d) Chico Bento, antes da seca, não era vagabundo, nem bandido; era um trabalhador rural.
e) narra a história de um burguês, Paulo Honório, que passara da condição de caixeiro-viajante e guia de cego à de rico proprietário de uma fazenda. Para atingir seus objetivos, o protagonista elimina todos os empecilhos que se colocam à sua frente, inclusive pessoas.

11. (UNILAVRAS) Com relação à leitura de São Bernardo, de Graciliano Ramos:

I – É Um romance escrito em primeira pessoa, portanto, Paulo Honório é narrador-personagem.
II- É um romance de terceira-pessoa, narrado por Madalena, esposa infiel de Paulo Honório.
III- O narrador Paulo Honório cresce a cada frase da narrativa até transformar-se num grande personagem em detrimento das demais.

A) Está correta a apenas a I.
B) Está correta apenas a II.
C) Está correta apenas a III.
D) Estão corretas apenas a I e III.
E) Estão corretas apenas a I e II.

12. (MACKENZIE) Em São Bernardo, a velhice é o momento em que o narrador-protagonista Paulo Honório

a) aproveita, apesar dos problemas cotidianos, toda a riqueza e prestígio que conseguiu durante sua vida de sacrifícios.
b) reconhece a forma desumana como tratou Madalena e as demais pessoas, mas não é capaz de reconstruir novo projeto de vida.
c) se sente contrariado, pois, apesar de saudável física e emocionalmente, constata que viveu apenas em função dos outros.
d) avalia o passado positivamente, contrastando-o com a solidão do presente e a incerteza do futuro.

13. (UFC) - As passagens abaixo fazem referência a personagens do romance São Bernardo, do escritor Graciliano Ramos. Assinale a alternativa onde é apresentado o personagem que tem, ao longo do romance, o papel de resgatar em Paulo Honório a dignidade humana.
 (A) ... "O Senhor andou mal adquirindo a propriedade sem me consultar, gritou Mendonça do outro lado da cerca."...
(B) ... "Padilha baixou a cabeça e resmungou amuado que sabia contar. Saiu, voltou outras vezes, insistindo."...
 (C) ... "Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste."....
(D) ... "Onde andaria a velha Margarida? Seria bom encontrar a velha Margarida e trazê-la para São Bernardo. Devia estar pegando um século, pobre da negra."...
(E) ... "Padre Silvestre recebeu-me friamente. Depois da Revolução de Outubro, tornou-se uma fera, exige devassas rigorosas e castigos para os que não usarem lenços vermelhos."...
14.(UFV) A respeito de Fogo Morto, de José Lins do Rego, apenas NÃO se pode afirmar que:

(A) o autor utiliza-se de um narrador externo e distanciado do mundo narrado, recusando, assim, o processo tradicional da onisciência absoluta.
(B) o romance retrata a decadência econômico-social do “coronel” Lula de Holanda e seu povo, transformando o engenho Santa Fé em uma espécie de microcosmo da realidade nordestina brasileira.
(C) o andarilho Vitorino “Papa Rabo”, personagem semilouco e também decadente, é rotulado pela crítica como o Quixote sertanejo, sempre em busca de injustiças a corrigir.
(D) o protagonista Carlos de Melo narra episódios da infância e adolescência vividas no engenho do avô José Paulino, fornecendo-nos um amplo perfil da sociedade patriarcal do Nordeste açucareiro.
(E) os personagens Lula de Holanda, José Amaro e o quixotesco Vitorino vivem em permanente conflito com o mundo; suas mulheres, caracterizando-se pelo bom-senso e por atitudes mais combativas, confirmam a relevância da figura feminina naquela sociedade em decadência.
   

“Falam que o tempo apaga tudo. Tempo não apaga, tempo adormece.”
Rachel de Queiroz

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