" Até onde posso vou deixando o melhor de mim...
Se alguém não viu...
Não me sentiu com o coração."
Clarice Lispector


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quinta-feira, 18 de maio de 2017



O jornal e suas metamorfoses 

Um senhor pega um bonde depois de comprar o jornal e pô-lo debaixo do braço. Meia hora depois, desce com o mesmo jornal debaixo do mesmo braço. Mas já não é o mesmo jornal, agora é um monte de folhas impressas que o senhor abandona num banco de praça. Mal fica sozinho na praça, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que um rapaz o descobre, o lê, e o deixa transformado num monte de folhas impressas. Mal fica sozinho no banco, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que uma velha o encontra, o lê e o deixa transformado num monte de folhas impressas. Depois, leva o para casa e, no caminho, aproveita-o para embrulhar um molho de celga, que é para o que servem os jornais depois dessas excitantes metamorfoses. 

CORTÁZAR, Julio. Histórias de Cronópios e de Famas. Rio de Janeiro. Ed., Civilização Brasileira, 1977.  
Glossário: celga – Também chamada de acelga. Uma planta, hortaliça. Cronópios - São pessoas alegres, sonhadoras, criativas, e por essas características acabam por viver poeticamente o mundo fazer um blog

1. Quem é a personagem principal do conto e o que há de inusitado em relação a isso?
2. Ao longo do conto, o que é que faz o jornal transformar-se em folhas impressas e depois transforma-se novamente em jornal?
3. Por que o narrador afirma ser esse processo de uso e desuso do jornal uma "excitante metamorfose"?
4. O jornal é um veículo de informação fundamental na vida contemporânea. Depois de passar por vários leitores, ele encontra seu fim como um objeto para embrulhar verdura. O que, portanto, confere a ele o seu valor ou, inversamente, o torna desimportante?

Questão 6
Explique a metáfora na tira abaixo

 
7. No texto abaixo, o produtor remete sua leitura a uma fábula, atualizando-a. Esclareça a relação intertextual entre os dois textos, a fábula e a charge.