" Até onde posso vou deixando o melhor de mim...
Se alguém não viu...
Não me sentiu com o coração."
Clarice Lispector





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sábado, 26 de maio de 2018

1.(l.P.Truques e Táticas) Leia o texto abaixo


Sabendo que o estudo da língua presupõe seu funcionamento baseado em processos de escolha e combinação que operam em todos os níveis de descrição linguística, é correto afirmar que na tira acima o nível responsável pela construção do humor é:
(A)Fonológico    (B)Morfológico     (C )Pragmático     (D )Semãntico       (E)Sintático

2.(l.P.Truques eTáticas) Sabendo que não apenas a ordem, mas também as escolhas das palavras devem ser adequadas para a produção de sentidos, identifique o enunciado INCORRETO sobre os eixos de escolha e combinação.
(A)   A combinação está associada a um eixo horizontal. A escolha está associada a um eixo vertical.
(B)   As palavras proprietário, dono e chefe estão no eixo das combinações, já que na tira,  ambas substituiriam  patrão sem alteração de sentido.
(C)   A combinação no sintagma obedece a um padrão definido pelo sistema. Assim, por exemplo, podem-se combinar “o patrão anunciou cortes radicais nos gastos, Dona Neide.” mas não “ patrão o anunciou gastos cortes radicais no...”
(D)   Os processos de escolha e combinação podem ser representados por eixos vertical e horizontal
(E)   Um dos aspectos que tornam um enunciado interpretável é a combinação das palavras em uma sequência adequada, dispostas em ordem. Dessa forma a fala do personagem no segundo quadrinho poderia ser as seguintes combinações:” Já estou sabendo”. Ou “ Estou sabendo já”.


3.




3. (l.P.Truques e Táticas)  Observe o uso da palavra “inquilino” utilizada por Mafalda,
considerando a relação existente entre o significado da palavra, os interlocutores e o contexto. O nível que
estuda o uso concreto da linguagem pelos falantes da língua nos seus diversos contextos é:
(A)Fonológico     (B)Morfológico     (C)Pragmático   ( D)Semântico     (E)Sintático

4. (L.P.Truques e Táticas)Leia o texto a seguir.









       No primeiro quadrinho a resposta do doutor contém
       a.       Nove orações        b. Dez orações    c. Onze orações     d. Doze orações      e. Treze orações
        (l.P.Truques eTáticas) Na primeira fala de Hagar o sujeito classifica-se como
a.       Composto
b.       Indeterminado
c.       Oração sem sujeito
d.       Simples
e.       Oculto
6. .(l.P.Truques eTáticas) Nas orações “Você come demais” e “Seu cabelo é sujo e oleoso” os predicados das duas orações são respectivamente:
a. verbais
b. nominais
c. verbal e nominal
d. nominal e verbal
e. verbo-nominal e nominal

7. .(l.P.Truques eTáticas)  Leia a tira a seguir










Sobre os enunciados da tira acima está correto o que se afirma em:

a.        O primeiro balão apresenta um período composto por três orações

b.        O primeiro balão apresenta um período composto por quatro orações

c.        O segundo balão não apresenta uma frase já que possui apenas uma palavra

d.        A fala do personagem no segundo quadrinho constitui uma oração

e.       Na oração “Tirei três em Matemática!” o sujeito é simples
8. .(l.P.Truques eTáticas) Observe a tira abaixo.











A análise correta dos termos essenciais presentes na tira acima é:
a.       Os homens são todos uns insensíveis! O predicado é verbal, pois o núcleo está no verbo
b.       Eles nunca lembram de uma data importante! O predicado é nominal, pois o núcleo é o nome
c.       No último quadrinho o sujeito é simples e o núcleo está em destaque
d.       Nas duas falas de Aline o sujeito é simples
e.       Na primeira fala de Aline o sujeito é simples, na segunda é oculto
9. Todas as orações a seguir apresentam predicado verbo-nominal, exceto:
a. O menino voltou machucado.
b. Cansados, os jogadores deixaram o campo.
c. Chamavam-lhe de covarde.
d. Assistiram ao espetáculo, felizes, Clarissa e Carolina.
e. Era medrosa aquela criança

10.(PUC-SP) – O verbo ser, na oração:
“Eram cinco horas da manhã...”, é:
a) pessoal e concorda com o sujeito indeterminado.
b) impessoal e concorda com o objeto direto.
c) impessoal e concorda com o sujeito indeterminado.
d) Impessoal e concorda com a expressão numérica.
e) Pessoal e concorda com a expressão numérica.


GABARITO
1B
2B
3C
4C
5C
6C
7B
8D
9E
10D


1.(l.P.Truques e Táticas) Leia o texto abaixo



Sabendo que o estudo da língua pressupõe seu funcionamento baseado em processos de escolha e combinação que operam em todos os níveis de descrição linguística, é correto afirmar que na tira acima o nível responsável pela construção do humor é:

(A)Fonológico    (B)Morfológico      (C )Pragmático     (D )Semântico            (E)Sintático



2.(l.P.Truques e Táticas)Sabendo que não apenas a ordem, mas também as escolhas das palavras devem ser adequadas para a produção de sentidos, identifique o enunciado INCORRETO sobre os níveis de escolha e combinação.

(A)   A combinação está associada a um eixo horizontal. A escolha está associada a um eixo vertical.

(B)   As palavras proprietário, dono e chefe estão no eixo das combinações, já que na tira,  ambas substituiriam  patrão sem alteração de sentido.

(C)    A combinação no sintagma obedece a um padrão definido pelo sistema. Assim, por exemplo, podem-se combinar “o patrão anunciou cortes radicais nos gastos, Dona Neide.” mas não “ patrão o anunciou gastos cortes radicais no...”

(D)   Os processos de escolha e combinação podem ser representados por eixos vertical e horizontal

(E)    Um dos aspectos que tornam um enunciado interpretável é a combinação das palavras em uma sequência adequada, dispostas em ordem. Dessa forma a fala do personagem no segundo quadrinho poeria ser as seguintes combinações:” Já estou sabendo”. Ou “ Estou sabendo já”.








(L.P.Truques e Táticas)  Observe o uso da palavra “inquilino” utilizada por Mafalda, considerando a relação existente entre o significado da palavra, os interlocutores e o contexto.


O nível que estuda o uso concreto da linguagem pelos falantes da língua nos seus diversos contextos é:

     (A)Fonológico      (B)Morfológico      (C)Pragmático         ( D)Semântico         (E)Sintático

   4.(L.P.Truques e Táticas) Observe a tira a seguir










      Percebe-se o humor da tira principalmente no uso do nível

(A)   Fonológico

(B)   Morfológico

(C)    Semântico

(D)   Sintático

(E)    Pragmático

5. (L .P.Truques e Táticas) Analise a tira abaixo

A análise morfológica INCORRETA sobre os vocábulos da tira acima é:

(A)   Lagartixa e Alecrim são substantivos assim como casa, comida e melhor também são.

(B)   Isso, sua e vocês pertencem a classe dos pronomes

(C)    No último quadrinho, os verbos pertencem a segunda conjugação

(D)   Caras e melhores são adjetivos e modificam o substantivo ração

(E)    Em uma lagartixa e a comida as palavras destacadas são artigos

6.(L.P.Truques e Táticas)Sabendo que a hiponímia e a hiperonímia são vocábulos relacionados ao estudo da semântica, identifique a análise semanticamente correta.
(A)   Lagartixas e coisas são hipônimos;                                  (D) Coisas e porcarias são hiperônimos
(B)   Comida é um hiperônimo assim como hambúrguer;        (E)Sanduíche e hambúrguer são hipônimos
(C)    Sanduíche e hambúrguer são hiperônimos
7.(L.P.Truques e Táticas) Leia a tira a seguir para responder a questão 07




Sobre as classes gramaticais usadas na tira é correto o que se afirma em: 
a.     No primeiro quadrinho pássaro e cantor são substantivos
b.    No primeiro quadrinho pássaro é substantivo e cantor é adjetivo
c.    Alegria, pássaro e cantor são substantivos concretos
d.   Em pássaro cantor, pássaro é adjetivo e cantor é substantivo
e.   O e usado no último quadrinho pertence à classe das preposições

Espertinho
No parque, o garoto pede dinheiro a sua mãe para dar a um velhinho. Sensibilizada, ela dá o dinheiro, mas lhe pergunta:

_ Para qual velhinho você vai dar o dinheiro, meu querido?
_ Para aquele que está gritando “Olha a pipoca quentinha!


8 .(L.P.Truques e Táticas)Em “pipoca quentinha “, a palavra em destaque pertence à classe dos:

(A)    Substantivos      (B) Adjetivos      (C) Advérbios    (D) Verbos         (E)Pronomes

9.(L.P.Truques e Táticas) Na oração “No parque, o garoto pede dinheiro a sua mãe para dar a um velhinho”, além de outras classes, foram usados
(A)  quatro substantivos e dois verbos          (B)  cinco substantivos e dois verbos
(C)  cinco substantivos e um verbo               (D)  cinco substantivos e três verbos
(E)   quatro substantivos e três verbos

10. Na frase “as penalidades são as previstas pelo bom senso, a palavra destacada é homônima de censo. Assinale a opção em que o emprego dos homônimos destacados está adequado.
(A) O reitor da faculdade solicitou que todos os funcionários participassem do censo anual para verificar quem realmente está na ativa.
(B) Foi pedido para que todos os motoristas respondessem ao senso, a fim de se obter o número real de carros no pátio da universidade.
(C) Os infratores são penalizados com a “multa moral” por não demonstrarem censo crítico.
(D) Se o infrator tiver censo, saberá o que dizer na hora da punição. 
(E) Aquele aluno não demonstrou censo crítico em suas resposta.

GABARITO
1B
2B
3C
4A
5A
6D
7B
8B
9B
10A






sábado, 5 de maio de 2018

TIPOLOGIA TEXTUAL- QUESTÕES


1.       Leia o texto a seguir

     Guerra civil

Renato Casagrande, O Globo, 23/11/2017

             O 11º Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando o crescimento das mortes violentas no Brasil em 2016, mais uma vez assustou a todos. Foram 61.619 pessoas que perderam a vida devido à violência. Outro dado relevante é o crescimento da violência em alguns estados do Sul e do Sudeste.

              Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números da violência no país. Todos se assustam, o tempo passa, e pouca ação ocorre de fato. Tem sido assim com o governo federal e boa parte das demais unidades da Federação. Agora, com a crise, o argumento é a incapacidade de investimento, mas, mesmo em períodos de economia mais forte, pouco se viu da implementação de programas estruturantes com o objetivo de enfrentar o crime. Contratação de policiais, aquisição de equipamentos, viaturas e novas tecnologias são medidas essenciais, mas é preciso ir muito além. Definir metas e alcançá-las, utilizando um bom método de trabalho, deve ser parte de um programa bem articulado, que permita o acompanhamento das ações e que incentive o trabalho integrado entre as forças policiais do estado, da União e das guardas municipais.



O texto acima é parte de uma coluna de um jornal carioca e pertence ao seguinte gênero:

(AAA) descritivo, pois nos dá características e qualifica o estado de violência no Brasil;  

(B) narrativo, pois fornece ao leitor uma sequência progressiva de ideias até a conclusão;

(C) descritivo-narrativo, pois mistura os dois traços destacados nas opções anteriores;

(D) dissertativo-expositivo, pois registra, de forma isenta, dados objetivos sobre um de nossos maiores problemas;

(E) dissertativo-argumentativo, pois defende ideias sobre as providências a serem tomadas no combate à violência.



Questão 2



 “(...) Pegue duas medidas de estupidez 
Junte trinta e quatro partes de mentira 
Coloque tudo numa forma 
Untada previamente 
Com promessas não cumpridas 
Adicione a seguir o ódio e a inveja 
As dez colheres cheias de burrice 
Mexa tudo e misture bem 
E não se esqueça: antes de levar ao forno 
Temperar com essência de espírito de porco, 
Duas xícaras de indiferença 
E um tablete e meio de preguiça (…)”.

(Os anjos – Legião Urbana)

A letra da música Os anjos, de autoria de Renato Russo, apresenta elementos que a identificam com o seguinte tipo textual:

a) Narração.

b) Descrição.

c) Injunção.

d) Dissertação.

E) argumentação



Questão 3

CRÔNICA - QUESTÕES




Texto para as questões 1,2 e 3



A Última Crônica



A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer um flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno da mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho — um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno da mesa um pequeno ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra você, parabéns pra você…”

Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura — ajeita-lhe a fitinha no cabelo, limpa o farelo de bolo que lhe cai no colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

(Fernando Sabino. In: Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1979-1980.)



1.(L.P. Truques e Táticas) Considerando a situação narrada em A última crônica, infere-se que

A)   o texto retrata de maneira crítica a desigualdade social, além disso propõe  ao leitor uma reflexão sobre a condição humana

B)   O narrador desqualifica as personagens ao se referir a elas usando expressões que na época da publicação do texto eram consideradas racistas

C)   A crônica revela aspectos da sociedade vistos com indiferença pelo narrador, o que se percebe com o uso das expressões casal de negros e negrinha.

D)   O narrador não vê beleza na cena descrita, mas sim um momento triste de uma família que não consegui comemorar o aniversário da filha

E)   A alegria da celebração familiar não está acima da divisão entre classes, já que os valores humanos são vistos com indiferença pelo narrador

2 .(L.P. Truques e Táticas) Observando A última crônica de Fernando Sabino, é possível afirmar a respeito dos elementos básicos dessa narrativa que

(A) As pessoas vistas pelo narrador no botequim são apenas personagens secundárias, pois não contribuem para o desfecho da narrativa.

(B) o texto é narrado em terceira pessoa, já que o narrador apenas observa a família no botequim

(C) Não há na narrativa nenhuma referência ao tempo em que ocorre as ações, o que dificulta a compreensão do leitor sobre o enredo da crônica

(D)na crônica prevalece o espaço interior, já que o narrador passa a maior parte da narrativa voltado para as suas inquietações sobre como escrever a sua última crônica

(E) O narrador - personagem é um cronista a procura de assunto para escrever sua última crônica. Esse recurso utilizado no texto de Fernando Sabino chama-se metalinguagem.

(L. P. Truques e Táticas) Sabendo que o texto A última crônica de Fernando Sabino pertence ao gênero crônica, não é correto afirmar que esse gênero textual

(A)  é um texto vinculado essencialmente em jornais e tem como função produzir um relato do cotidiano

(B)  Pode ter caráter humorístico, crítico, satírico ou irônico

(C)  Pode transmitir os contrastes do mundo em que vivemos em tom sério ou humorístico

(D)  Apresenta episódios reais ou fictícios em uma linguagem simples, aproximando oralidade e escrita

(E)  Apresenta uma pluralidade de espaços com personagens complexos e ações realizadas no pretérito

O texto abaixo servirá de referência para responder as questões  4 e 5



A nuvem

– Fico admirado como é que você, morando nesta cidade, consegue escrever uma semana inteira sem reclamar, sem protestar, sem espinafrar! E meu amigo falou da água, telefone, Light em geral, carne, batata, transporte, custo de vida, buracos na rua, etc. etc. etc. Meu amigo está, como dizem as pessoas exageradas, grávido de razões. Mas que posso fazer? Até que tenho reclamado muito isto e aquilo. Mas se eu for ficar rezingando todo dia, estou roubado: quem é que vai aguentar me ler? Acho que o leitor gosta de ver suas queixas no jornal, mas em termos.

Além disso, a verdade não está apenas nos buracos das ruas e outras mazelas. Não é verdade que as amendoeiras neste inverno deram um show luxuoso de folhas vermelhas voando no ar? E ficaria demasiado feio eu confessar que há uma jovem gostando de mim? Ah, bem sei que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco. São caprichos de certa fase. Mas que importa? Esse carinho me faz bem; eu o recebo terna e gravemente; sem melancolia, porque sem ilusão. Ele se irá como veio, leve nuvem solta na brisa, que se tinge um instante de púrpura sobre as cinzas de meu crepúsculo.

E olhem só que tipo de frase estou escrevendo! Tome tenência, velho Braga. Deixe a nuvem, olhe para o chão – e seus tradicionais buracos.

(Rubem Braga, Ai de ti, Copacabana)

4. É correto afirmar que, a partir da crítica que o amigo lhe dirige, o narrador cronista:

a) sente-se obrigado a escrever sobre assuntos exigidos pelo público;
b) reflete sobre a oposição entre literatura e realidade;
c) reflete sobre diversos aspectos da realidade e sua representação na literatura;
d) defende a posição de que a literatura não deve ocupar-se com problemas sociais;
e) sente que deve mudar seus temas, pois sua escrita não está acompanhando os novos tempos.



5. Com relação ao gênero do texto, é correto afirmar que a crônica:

a) parte do assunto cotidiano e acaba por criar reflexões mais amplas;
b) tem como função informar o leitor sobre os problemas cotidianos;
c) apresenta uma linguagem distante da coloquial, afastando o público leitor;
d) tem um modelo fixo, com um diálogo inicial seguido de
argumentação objetiva;
e) consiste na apresentação de situações pouco realistas, em linguagem metafórica.








                                     PROVA SOBRE O PRÉ-MODERNISMO


1.(ENEM/MEC) Vida obscura

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro
ó ser humilde entre os humildes seres,
embriagado, tonto de prazeres,
o mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste no silêncio escuro
a vida presa a trágicos deveres
e chegaste ao saber de altos saberes
tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sofrimento inquieto,
magoado, oculto e aterrador, secreto,
que o coração te apunhalou no mundo,

Mas eu que sempre te segui os passos
sei que a cruz infernal prendeu-te os braços
e o teu suspiro como foi profundo!

 (SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961)

Com uma obra densa e expressiva no Simbolismo brasileiro, Cruz e Souza transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em conflito com a realidade vivenciada. No soneto, essa percepção traduz-se em

(A)  sofrimento tácito diante dos limites impostos pela discriminação.

(B) tendência latente ao vício como resposta ao isolamento social.

(C) extenuação condicionada a uma rotina de tarefas degradantes.

(D) frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais.

(E) vocação religiosa manifesta na aproximação com a fé cristã.

2.(ENEM/MEC) Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando imensidades,

Mares, estrelas, tardes, natureza.



Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.



Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!



Nesses silêncios solitários, graves,

que chaveiro do Céu possui as chaves

para abrir-vos as portas do Mistério?!

(CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993.)

Os elementos formais e temáticos relacionados com o contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são:

(A) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.

(B) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.

(C) o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.

(D) a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.

(E) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.

3.(PUC-PR) Sobre o Simbolismo, considerando as suas características, identifique a alternativa correta:

(A)“O poeta procura fugir para um mundo imaginá­rio, idealizado a partir dos sonhos e das emoções pessoais.

(B)“Poesia não descritiva, nem narrativa, mas sugestiva, tomada a palavra sobretudo no seu valor musical.”

(C) “Linguagem próxima da realidade, sem rebuscamentos, natural; narrativa lenta; preocupação com minúcias.”

(D) “Imagens crescentemente modeladas em linguagem cotidiana.” “Interesse pelo homem comum.”

(E) “Versos impassíveis, perfeição formal, cuidado com a rima, com o ritmo, com a seleção vocabular.”

4(L.P. Truques e Táticas) A obra Triste Fim de Policarpo Quaresma do autor pré-modernista Lima Barreto exemplifica uma literatura engajada visto que nela o autor

(A)  Concebe a literatura como instrumento de participação política empenhado em registrar a realidade dos oprimidos

(B)  Mostra Policarpo Quaresma como um personagem dividido entre o amor à pátria e a ambição política

(C)  Aborda a loucura como tema central da obra denunciando a forma como são tratados os internos no hospício

 (D)Descreve o fracasso de Policarpo Quaresma e de seus projetos nacionalistas

  (E)Defende a ideia de que as terras brasileiras são as mais férteis do mundo

5. (L.P. Truques e Táticas) Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto é uma das produções mais marcantes do Pré-Modernismo. Nessa obra encontra-se acentuadas críticas à sociedade do início do século XX, pois     

(A) além de fazer uma descrição política do país no início da República, a obra traça um rico painel social e humano dos subúrbios cariocas na virada do século

(B) a primeira parte da obra se desenrola na cidade do Rio de Janeiro, antes da proclamação da república brasileira, e mostra o planejamento de Quaresma que visa a saídas políticas, econômicas e culturais para o Brasil.

(C) as três partes da obra narram as andanças de Policarpo pela Capital Federal durante a revolta da Armada e mostra sua desilusão final. Há aqui uma crítica feroz aos positivistas que apoiavam a Primeira República.

(D) o autor procura retratar, detalhadamente, a xenofobia como tema central da obra

(E) O autor revela ao leitor, através da personagem principal, as belezas de um Brasil ignorado pelo seu próprio povo

6. (L.P. Truques e Táticas) Considere o trecho abaixo do conto Negrinha de Monteiro Lobato

 O 13 de maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. casa como remédio para os frenesis. Inocente derivativo:
– Ai! Como alivia a gente uma boa roda de cocres bem fincados!...”


                                                                   (LOBATO, Monteiro. Negrinha. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 4 e 5).

“O 13 de maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana”. Esse trecho faz referência a personagem Dona Inácia e mostra principalmente

(A)  a persistência de uma mentalidade escravocrata na sociedade brasileira

(B)  a violência contra os membros de uma classe desfavorecida economicamente

(C)  o preconceito contra as classes marginalizadas

(D)  a resistência do negro que luta contra a opressão da sociedade

(E)  a resistência contra o trabalho infantil

7.(L.P. Truques e Táticas) Sobre o conto Negrinha de Monteiro Lobato entende-se que

(A)Negrinha é uma das personagens mais marcantes da literatura infantil de Monteiro Lobato, o autor que inaugurou o gênero no Brasil. 
(B) Há no conto Negrinha uma crítica à forma como os pais tratavam os filhos, muitas vezes abandonados nas casas dos patrões
(C) Era comum a prática de castigos físicos praticados por senhoras como dona Inácia, que era admirada na sociedade por mostrar os seus verdadeiros comportamentos
(D)Há uma exaltação das atitudes de Dona Inácia pelo narrador, como se observa no trecho “ a excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças”.
(E) Negrinha é vítima de um meio social injusto e preconceituoso, cujos padrões se valem da submissão dos mais fracos e da hipocrisia dos opressores

8.(L.P. Truques e Táticas). Publicado em 1918, Urupês é uma coletânea de 14 contos, tendo como ênfase a vida quotidiana do caboclo através de seus costumes, crenças e tradições. Sobre o conto Urupês, destaque dessa obra de Monteiro Lobato é correto afirmar que:

(A) a personagem de Jeca representa a miséria e atraso econômico do país de então, e o descaso do governo em relação ao Brasil rural.
(B) a obra tematiza a disputa por terras entre os grandes proprietários
(C) o pequeno agricultor representado por Jeca Tatu é um tipo bem assistido pelo governo
(D) o espaço rural onde habita Jeca Tatu é idealizado pelo autor, já que a natureza a sua volta é sempre bela e acolhedora
(E) nesse conto, o personagem Jeca Tatu é um pequeno agricultor que assim como os outros que vivem no interior de São Paulo, considera a vida no campo produtiva e aconchegante.

9.(L.P. Truques e Táticas) A ilustração abaixo faz parte do conjunto intitulado Cicatrizes Submersas do artista plástico Descartes Gadelha (Fortaleza, 1993)

 



a imagem acima dialoga com uma das maiores obras da literatura brasileira. Trata-se de 
(A)  Cidades Mortas de Monteiro Lobato
(B)  Canaã de Graça Aranha
(C)  Os Sertões de Euclides da Cunha 
(D)  Triste Fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto
(E)  Negrinha de Monteiro Lobato

10.(L.P. Truques e Táticas)  O tema central da obra Canaã de Graça Aranha é
(       A)      A revolta dos operários em são Paulo

(       B)     O cangaço

(       C)      A imigração alemã no Espírito Santo

(        D)      A vida do sertanejo

(        E)    a seca no nordeste

 
     11.(L.P. Truques e Táticas) Observe a imagem a seguir

A imagem representa as manifestações nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, na primeira década do século XX, que integraram a Revolta da Vacina. Considerando o contexto político-social da época, essa revolta revela:

(A) a insatisfação da população com os benefícios de uma modernização urbana autoritária.
(B) a consciência da população pobre sobre a necessidade de vacinação para a erradicação das epidemias.
(C)a garantia do processo democrático instaurado com a República, através da defesa da liberdade de expressão da população.
(D)o planejamento do governo republicano na área de saúde, que abrangia a população em geral.
(E) o apoio ao governo republicano pela atitude de vacinar toda a população em vez de privilegiar a 
elite.

12. Com a obra Os Sertões (1902), Euclides da Cunha foi um escritor pré-modernista pioneiro ao aproximar a literatura e a história quando recriou literariamente o sangrento conflito da Guerra de Canudos (1897). Além de retratar os conflitos ocorridos durante o período, o autor atribuiu maior destaque a três principais aspectos:

(A) A escravidão, o povo e a luta;
(B) A terra, o homem e a luta;
(C) O povo, a raça e a luta;
(D) O homem, a luta, a guerra;
(E) O sertão, o homem, a luta.

14(UEL) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o Pré-Modernismo:
(A) Não se caracterizou como uma escola literária com princípios estéticos bem delimitados, mas como um período de prefiguração das inovações temáticas e linguísticas do Modernismo.
(B) Algumas correntes de vanguarda do início do século XX, como o Futurismo e o Cubismo, exerceram grande influência sobre nossos escritores pré-modernistas, sobretudo na poesia.
(C) Tanto Lima Barreto quanto Monteiro Lobato são nomes significativos da literatura pré-modernista produzida nos primeiros anos do século XX, pois problematizam a realidade cultural e social do Brasil.
(D) Euclides da Cunha, com a obra “Os Sertões”, ultrapassa o relato meramente documental da batalha de Canudos para fixar-se em problemas humanos e revelar a face trágica da nação brasileira.
(E) Nos romances de Lima Barreto observa-se, além da crítica social, a crítica ao academicismo e à linguagem empolada e vazia dos parnasianos, traço que revela a postura moderna do escritor.
15(PUC-RS) A literatura do pré-modernismo brasileiro, nas obras de Euclides da Cunha, Lima Barreto e Monteiro Lobato, caracteriza-se pela:
(A) descrição de forma romântica da sociedade rural.
(B) interpretação e polêmica voltadas para a problemática social.
(C) análise e idealização da sociedade urbana.
(D) restauração e mitificação da temática histórica.
(E) reconstrução e fabulação da sociedade indígena.

16. (PUC) Da personagem que dá título ao romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, podemos afirmar que
(A) foi um nacionalista extremado, mas nunca estudou com afinco as coisas brasileiras.
(B) perpetrou seu suicídio, porque se sentia decepcionado com a realidade brasileira.
(C) defendeu os valores nacionais, brigou por eles a vida toda e foi condenado à morte injustamente por valores que defendia.
(D) foi considerado traidor da pátria, porque participou da conspiração contra Floriano Peixoto.
(E) era um louco e, por isso, não foi levado a sério pelas pessoas que o cercavam.

17. (FUVEST) No romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, o nacionalismo exaltado e delirante da personagem principal motiva seu engajamento em três diferentes projetos, que objetivam “reformar” o país. Esses projetos visam, sucessivamente, aos seguintes setores da vida nacional:
(A) escolar, agrícola e militar;
(B) linguístico, industrial, e militar;
(C) cultural, agrícola e político;
(D) linguístico, político e militar;
(E) cultura, industrial e político.

18.A obra de Lima Barreto, escritor pré-modernista, é marcada pela análise e descrição da vida:

(A) no sertão do Brasil, retratando a seca e os conflitos ocasionados pela disputa de terras;
(B) nos grandes centros urbanos, retratando os subúrbios os quais eram, até então, ignorados pela elite cultural brasileira;
(C) dos trabalhadores dos cafezais do interior de São Paulo, mais precisamente da região do Vale do Paranaíba;
(D) da elite carioca, sobretudo dos artistas vanguardistas, como Tarsila do Amaral e Mário de Andrade.
(E) e da cultura do Rio Grande do Sul, na região dos Pampas.



19 .(L.P. Truques e Táticas) Augusto dos Anjos é autor de um único livro, Eu, editado pela  primeira vez em 1912. Outras Poesias acrescentaram-se às edições posteriores. Considerando a produção literária desse poeta, pode-se dizer que:

(A) Foi recebida sem restrições no meio literário de sua época, alcançando destaque na história das formas literárias brasileiras.
(B) Revela um sentimentalismo profundo, o que o aproxima do Romantismo
(C) Foi elogiada poeticamente pela crítica de sua época, entretanto não representou um sucesso de público.
(D) é um poeta que possui características de vários estilos literários, bastante criticado por adotar um vocabulário pouco comum.
(E) Considerado pelo público e pela crítica, habituados à elegância parnasiana, um poeta de mau gosto, visto que em seus poemas não há preocupação com a forma.

20.(L.P. Truques e Táticas) As inovações temáticas e de estilo fizeram de Augusto dos Anjos um importante poeta brasileiro, embora tenha publicado apenas um livro ao longo de sua vida. Entre os temas preferidos do autor destaca-se a morte, como se observa no poema a seguir.

 
A meu Pai morto

Podre meu Pai! A Morte o olhar lhe vidra. 

Em seus lábios que os meus lábios osculam 

Microrganismos fúnebres pululam 

Numa fermentação gorda de cidra. 



Duras leis as que os homens e a hórrida hidra 

A uma só lei biológica vinculam, 

E a marcha das moléculas regulam, 

Com a invariabilidade da clepsidra!...



Podre meu Pai! E a mão que enchi de beijos 

Roída toda de bichos, como os queijos 

Sobre a mesa de orgíacos festins!...



Amo meu Pai na atômica desordem 

Entre as bocas necrófagas que o mordem 

E a terra infecta que lhe cobre os rins! 



ANJOS. Augusto dos. Sonetos. Melhores poemas. 3. ed. São Paulo: Global, 2001. p. 133-134.

Não se nota nesse poema

 
A)     Decomposição do corpo em função das leis biológicas
B)     Fusão entre a linguagem literária e científica
C)     um tema sério associado a termos do cotidiano
D)    uma visão materialista da morte
E)     lamentação diante da morte