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domingo, 22 de outubro de 2023

PROVA ROMANCE DE 30

 

C

Trecho da obra Vidas Secas para as questões 1 e 2.

              O mulungu do bebedouro cobria-se de arribações. Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo. Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebiam e, como em redor não havia comida, seguiam viagem para o Sul. O casal agoniado sonhava desgraças. O sol chupava os poços, e aquelas excomungadas levavam o resto da água, queriam matar o gado. (…) Alguns dias antes estava sossegado, preparando látegos, consertando cercas. De repente, um risco no céu, outros riscos, milhares de riscos juntos, nuvens, o medonho rumor de asas a anunciar destruição. Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem. E olhava com desgosto a brancura das manhãs longas e a vermelhidão sinistra das tardes. (…)

1. (L.P.T e Táticas) Nesse momento da narrativa é possível inferir que

(A) Fabiano e sua família enfrentam pela primeira vez a seca e precisam retirar-se.

(B) as arribações fazem parte apenas do passado de Fabiano apenas como um mal sinal que o faz lembrar da miséria e da seca.

(C) o ambiente estava seco porque havia arribações.

(D) o casal já sofria com os sinais que prenunciavam um longo período de seca.

(E) a família de Fabiano tinha esperanças de continuar na fazenda por tempo indeterminado.

 

2. (L.P.T e Táticas) A metáfora que sugere a seca encontra-se no seguinte trecho:

(A ) O casal agoniado sonhava desgraças.

(B) Mau sinal, provavelmente o sertão ia pegar fogo.

(C) Ele já andava meio desconfiado vendo as fontes minguarem.

(D) O mulungu do bebedouro cobria-se de arribações.

(E) Vinham em bandos, arranchavam-se nas árvores da beira do rio, descansavam, bebiam e, como em redor não havia comida, seguiam viagem para o Sul.

 

3.(L.P.T e Táticas) Leia o trecho abaixo.

      "Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a família. Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. Deveria continuar a arrastá-los?."

(Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 23.ª ed., 1969, p. 75.)

O trecho acima revela que Fabiano

(A) responsabiliza a família por toda a situação de miséria que precisa enfrentar.

(B) pensa na sua vida de miséria e tem consciência que é explorado. Isso o faz sentir-se preso;

(C) o ferro quente a que Fabiano faz referência é a seca;

(D) o soldado Amarelo é o único responsável pela situação de opressão em que vive Fabiano;

(E)  Relembra o momento em que foi preso e usa a expressão “como um novilho no mourão”.

 

4.(L.P.T e Táticas) A zoomorfização e a antropomorfizarão estão presentes em vários trechos da obra Vidas Secas. No capítulo que tem como título Fabiano, em um momento da narrativa, ao pensar nas dificuldades que já havia vencido, esse personagem sente, ainda que por alguns segundos, orgulho de sua condição animalesca. O trecho que revela essa ideia é:

 

(A)  Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele.

(B)  Estava escondido no mato como tatu.

(C)  Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente.

(D)  Você é um bicho, Fabiano[...]Um bicho capaz de vencer dificuldades.

(E)   Ele, a mulher e os filhos tinham se habituado a à camarinha escura, pareciam ratos.

 

 

   5 (L.P.Truques e Táticas) O trecho a seguir da obra O quinze de Rachel de Queiroz mostra Conceição no “Campo de concentração”

 

      Conceição atravessava muito depressa o “Campo    de concentração”. Às vezes, uma voz atalhava:

     - Dona, uma esmolinha...

     Ela tirava um níquel da bolsa e passava adiante, em passo ligeiro, fugindo da promiscuidade e do mal cheiro do acampamento.

     Que custo, atravessar aquele atravancamento de   gente imunda, de latas velhas, de trapos sujos!

 

     Nesse fragmento da obra, é possível inferir que a crítica da autora se refere, principalmente

 

(A)   às consequências da seca na vida dos retirantes;

(B)   à forma como Conceição, professora, fugia dos retirantes;

(C)  à falta de assistência social por parte das autoridades aos retirantes;

(D)  à falta de disposição dos retirantes, já que se contentavam em pedir esmolas;

(E)  à dificuldade de Conceição em atravessar o “Campo de concentração”

 

6(L.P.Truques e Táticas) A obra O quinze de Rachel de Queiroz pertence a fase modernista em que predomina uma literatura de denúncia. Nesse sentido, convém afirmar que nesse romance a crítica da autora se propõe a denunciar

 

(A)  a situação degradante da vida dos retirantes causada por fatores climáticos, sociais e econômicos;

(B)   somente as consequências da seca na vida da população que vive em situação de pobreza;

(C)  somente os efeitos da seca de 1915, que marcou a infância da autora;

(D)  a crueldade dos proprietários de terra por não acolher seus trabalhadores no período da seca;

(E)   principalmente a precariedade do “Campo de concentração”, local onde os retirantes eram recebidos.

   

Leia o poema abaixo para responder as questões 7 e 8

 

Os Ombros Suportam o Mundo

 

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

 

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

 

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

 

Sentimento do Mundo, 1940

 

7.( L. P. Truques e Táticas)  O  poema  mostra

 

A) a Indignação do sujeito lírico em relação aos grandes problemas que aterrorizam os homens;

B) a resignação do ser humano em relação aos problemas de seu tempo;

C) Preocupação do eu lírico com grandes problemas como a guerra e a fome;

D) Preocupação com aqueles que não conseguem lidar com suas dores e preferem morrer;

E) Preocupação com o estado de solidão em que vivem seus semelhantes.

 

8.( L. P. Truques e Táticas) "Teus ombros suportam o mundo / e ele não pesa mais que a mão de uma criança." Esses versos do poema sugerem que o sujeito lírico

 

A) encoraja os seus semelhantes mostrando-lhes a   capacidade de suportar os problemas de seu tempo;

B) desafia os problemas de seu tempo, pois se sente maior que o mundo;

C) mostra-se forte e esperançoso, pois os ombros suportam o mundo;

D) vê o mundo com leveza como a mão de uma criança;

E) Acredita que os problemas que assolam os indivíduos os tornam insensíveis.

 

  9.( L. P. Truques e Táticas) Leia a primeira estrofe do poema Mãos dadas da Carlos Drummond de Andrade.

 

Mãos dadas

 

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

 

      Esse poema está na obra Sentimento do mundo publicada em 1940, período conturbado tanto no cenário nacional como mundial. Considerando o que propõe o sujeito lírico sobre o fazer poético, esse poema faria sentido no contexto atual? Por quê? (Valor da questão 3,0)

 

 

 

 

 

 

10. (L.P. Truques e Táticas) Discorra sobre as consequências da seca e outros problemas que afetam a vida dos retirantes nos romances Vidas Secas de Graciliano Ramos e O Quinze de Rachel de Queiroz, estabelecendo comparações entre as duas obras. (valor da questão 3,0)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

ATIVIDADE DE LÍNGUA PORTUGUESA COM DESCRITORES

 

Atividade de Língua Portuguesa com descritores

D13 - Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.

D15 - Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios etc.

1.( L.P.Truques e Táticas) Leia o fragmento abaixo.

“Sem se importarem com o sal, os meninos metiam as mãos na farinha, rasgavam lascas de carne, que engoliam, lambendo os dedos. Cordulina pediu: — Chico, vê se tu arranja uma aguinha pro café... Apesar da fadiga do longo dia de marcha, Chico Bento levantou-se e saiu; a garganta seca e ardente, parecendo ter fogo dentro, também lhe pedia água. “

(QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1979, p. 33).

A linguagem utilizada nesse texto por Cordulina é

(A) científica.

(B) culta.

(C) informal.

(D) jornalística

(E) técnica.

2.( L.P.Truques e Táticas)  No trecho “...Apesar da fadiga do longo dia de marcha, Chico Bento levantou-se e saiu; a garganta seca e ardente, parecendo ter fogo dentro, também lhe pedia água. “

A oração destacada apresenta uma informação

(A) comparativa.

(B) conclusiva.

(C) condicional.

(D) conformativa.

(E) concessiva

3(L.P.Truques e Táticas) Texto para as questões 03 e 04                           

A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos. – Anda, excomungado. O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde. 

Disponível em: https://www.wattpad.com/185150944-vidas-secas-cap%C3%ADtulo-1-mudan%C3%A7a/page/2

No trecho "O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo". O conectivo estabelece entre as duas orações valor semântico de

(A)     Adversidade.

(B)     Adição.

(C)     Conclusão.

(D)     Alternância.

(E)      Explicação.

4.( L.P.Truques e Táticas)No trecho" Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde."  Nesse período composto por coordenação, a vírgula que separa as duas últimas orações poderia ser substituída sem alteração de sentido por

(A) pois.

(B) portanto.

(C) porém.

(D) e.

(E) logo.

5.( L.P.Truques e Táticas) Leia a tira abaixo.


Disponível em: https://www.tumblr.com/tirasarmandinho/163405308014/tirinha-original

No segundo quadrinho “– mas não é fácil de encontrar.”, a palavra destacada estabelece uma relação de

(A) conclusão.

(B) condição.

(C) oposição.

(D) soma.

(E) tempo.

6. ( L.P.Truques e Táticas) Leia o fragmento da entrevista abaixo para responder à questão.

No livro, o senhor fala que na escola a criança “abandona sua compreensão real dos sentidos da existência” em troca de um “futuro linear”. Para combater isso, defende uma pedagogia do “desentortamento do pensamento”. Que pedagogia é essa?

 Minha percepção é que a criança é livre, inteira, intensa. Quando ela entra na escola, entra numa forma, que é a chamada formação. A criança não divide os saberes. Brincar, aprender, correr, subir na árvore, tudo é uma coisa só. Quando ela vai para a escola, é tirada desse universo integral e é apresentada para ela uma sociedade dividido em conhecimentos. Por isso, a escola entorta o pensamento da criança. A gente precisa voltar para a nossa origem de aprender as coisas não divididas. Quando a gente trata as coisas como um conjunto, a gente toma conta, cuida. Não tem rico nem pobre, branco nem preto, noite nem dia. Tudo é uma coisa só e você faz parte da natureza. A escola aprisiona o pensamento nessas categorias de certo, errado, bom e mau. A teia da vida é completa e a gente acaba se esquecendo disso, ao desenvolver a ideia de que nós somos donos. A criança aprende na escola que ela tem que dominar e aí passa a destruir tudo, né, porque é dela, ensinaram isso para ela. É educada para ser senhor da natureza, das coisas.

Como a escola poderia se aproximar disso que o senhor fala?
Não é a escola que tem que fazer isso. Ela é vítima também. A escola foi criada para ser um instrumento de colonização do pensamento. Só quem pode fazer isso é a família, a comunidade. O desentortamento do pensamento só é possível com pais conscientes, com uma comunidade consciente.

MENDONÇA, Tatiana. Entrevista com Daniel Munduruku. Disponível em: https://www.geledes.org.br/daniel-munduruku-indio-e-invencao-total-folclore-puro/

Um trecho desse texto que apresenta marcas típicas da oralidade é:

(A)    Quando ela vai para a escola, é tirada desse universo integral e é apresentada para ela uma sociedade dividido em conhecimentos.

(B)   A criança aprende na escola que ela tem que dominar e aí passa a destruir tudo, né, porque é dela, ensinaram isso para ela.

(C)   Minha percepção é que a criança é livre, inteira, intensa. Quando ela entra na escola, entra numa forma, que é a chamada formação.

(D)    A escola aprisiona o pensamento nessas categorias de certo, errado, bom e mau.

(E)   A escola foi criada para ser um instrumento de colonização do pensamento.

7. ( L.P.Truques e Táticas) No trecho “Por isso, a escola entorta o pensamento da criança”, a conjunção destacada tem valor semântico de

(A) adição.

(B) comparação.

(C) consequência.

(D) conclusão.

(E) tempo.

8. ( L.P.Truques e Táticas) No trecho “. A teia da vida é completa e a gente acaba se esquecendo disso, ao desenvolver a ideia de que nós somos donos”, a oração destacada tem um valor semântico de

(A) acréscimo.

(B) comparação.

(C) consequência.

(D) oposição.

(E) tempo.

9. ( L.P.Truques e Táticas) Leia a tira para responder à questão.


Disponível em: https://www.tecconcursos.com.br/questoes/2267563

Nessa tira, a fala das personagens apresenta características da linguagem

(A) científica.

(B) coloquial.

(C) formal.

(D) regional.

(E) técnica.

 

10.( L.P.Truques e Táticas) Leia o fragmento abaixo da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.

No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta, tão negra como a outra, e muito maior do que ela. Lembrou-me o caso da véspera, e ri-me; entrei logo a pensar na filha de Dona Eusébia, no susto que tivera, e na dignidade que, apesar dele, soube conservar. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.

Nesse texto há marcas da linguagem

(A) científica.

(B) coloquial.

(C) formal.

(D) regional.

(E) técnica.

 

 

quinta-feira, 22 de junho de 2023

MODERNISMO EM PORTUGAL E PRIMEIRA FASE DO MODERNISMO NO BRASIL - QUESTÕES


QUESTÕES OBJETIVAS      (1,0)                                      QUESTÕES DISCURSIVAS  (1,5)

 

1.(L.P. Truques e Táticas)) Leia o texto abaixo.

 

 DSEBASTIÃOREI DE PORTUGAL

Louco, sim, louco, porque quiz grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;:
Porisso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que ha.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nella ia.

Sem a loucura o que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadaver addiado que
 procria?


                                                                                                        Fernando Pessoa

Nesse poema é correto afirmar que:

 

(A) é o louvor a loucura que distingue o homem do animal e o faz ir em frente na busca da realização do sonho, haja o que houver.

(B) é a loucura que arrasta o homem para o fracasso, ideia clara na expressão “Ficou meu ser que houve”.

(C) está subtendido no verso «Ficou meu ser que houve, não o que há», que o sujeito lírico faz referência aos seus sonhos interrompidos no areal.

(D) está claro que o sujeito lírico se assume como um ser ousado que busca grandezas, mas sugere cautela usando a expressão ” cadáver adiado”

(E)  a loucura, vista pelo sujeito lírico como algo que apequena o homem, o leva para o fracasso.

2. (L.P.Truques e Táticas) O texto a seguir pertence a um dos heterônimos de Fernando Pessoa:

LISBON REVISITED

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

[...]

Levando em consideração que cada heterônimo se destaca com temáticas diferentes, é correto afirmar que

(A)   a estrofe mostra o pessimismo de Álvaro de Campos presente em grande parte dos seus poemas.

(B)   a preocupação existencial presente em Alberto Cairo está presente nesses versos.

(C)   a negação da vida presente na poesia de Alberto Caeiro.

(D)   a preocupação com a morte na poesia de Ricardo Ries.

(E)   a inquietude de Ricardo Reis presente em grande parte dos seus poemas.

 

3.(L.P.Truques e Táticas)A estrofe a seguir pertence a obra O guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro,  heterônimo de Fernando Pessoa.

 

Sou um guardador de rebanhos. 

O rebanho é os meus pensamentos 

E os meus pensamentos são todos sensações. 

Penso com os olhos e com os ouvidos 

E com as mãos e os pés 

E com o nariz e a boca. 

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la 

E comer um fruto é saber-lhe o sentido

Esses versos encaminham o leitor para a principal característica temática abordada na poesia de Alberto Caeiro. Trata-se:

(A)  do distanciamento do tempo presente;


 (B) da preocupação com a vida campestre;

(C)  da reflexão sobre os elementos da natureza;

(D)   da valorização do pensamento filosófico;

(E)    da valorização dos sentidos.


 

4. (L.P.Truques e Táticas) Leia a estrofe abaixo do heterônimo Álvaro de Campos.

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,

Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,

Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco

Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça,

Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,

Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter,

Que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?

Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,

Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.

Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem consequência,

Sempre, sempre, sempre,

Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,

Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...

 

A partir da leitura dessa estrofe, é possível inferir

(A)       que o sujeito lírico, metaforicamente, embora confuso, mostra contentamento com a vida e seus caminhos;

(B)       que o sujeito lírico lamenta por estar em Sintra, já que sua certeza é Lisboa;

(C)      que há, no eu lírico, angústia, pessimismo e indecisão  em relação  à vida e seus caminhos;

(D)      que a preocupação do eu lírico se limita a espações físicos: Sintra e Lisboa.

(E)       que o sujeito lírico dirige devagar para ter certeza do local onde quer repousar.

5. (L.P.Truques e Táticas) Leia as estrofes de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa.

Segue o Teu Destino


Segue o teu destino, 
Rega as tuas plantas, 
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra 
De árvores alheias. 

A realidade 
Sempre é mais ou menos 
Do que nós queremos. 
Só nós somos sempre 
Iguais a nós-próprios. 

[...]


Nesses versos é claro o


A)    racionalismo presente na poética de Ricardo Reis.

B)    a negação da realidade.

C)   o pessimismo diante da vida.

D)   a instabilidade emocional.

E)    o sofrimento causado pela solidão.


 6. .(L.P.Truques e Táticas) Leia o poema abaixo

 


Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.

 

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.


                                                                                     (BANDEIRA, Manuel. Estrela da Manhã)

De acordo com o texto

A)      Todos os clientes mostraram-se comovidos diante da ideia da morte

B)       Na segunda estrofe a morte é vista com indiferença por um dos clientes do café

C)       Enquanto uns veem a vida como uma agitação feroz, outro a vê apenas como traição

D)       A morte é algo distante para todos os clientes do café, já que estão confiantes na vida

E)       A palavra longamente da segunda estrofe se opõe a palavra maquinalmente da primeira

7.(L.P.Truques e Táticas) Há uma contraposição na segunda estrofe em relação à primeira. Essa relação semântica pode ser estruturada pelo conectivo


A)    contudo

B)    portanto

C)   pois

D)   logo

E)    porque


8. (L.P.Truques e Táticas) Sabendo que a Semana de Arte Moderna marcou didaticamente o Modernismo no Brasil, faça considerações sobre esse evento e sobre as principais características da primeira fase, ou seja, fase heroica dessa escola literária.

 

 

 

 

 

9.(L. P. Truques e Táticas)  Comente sobre a produção literária de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, considerando o estilo e os temas de destaque desses heterônimos de Fernando Pessoa.

 

 

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